Rádio Cigana

domingo, 27 de maio de 2012


A CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO OS CIGANOS
 


Muita gente tem medo dos ciganos por seus estranhos costumes, excentricidades e vida nômade, fora dos padrões das sociedades. Freqüentemente, porém, esse medo é temperado por uma espécie de fascínio que excita a imaginação e provoca idéias românticas sobre casamentos ciganos e seus juramentos de sangue, cenas de paixão ao som de violinos, noites enluaradas, mistério e magia, adivinhação da sorte.

Outros, entretanto, não pensam assim sobre os ciganos: os proprietários da terra ou guardas-caça, quando encontram em seus domínios as tocas de animais silvestres invadidas e muita desordem e sujeira (aliás, obra de viajantes não-ciganos), atribuem mais as possíveis verdades sobre suas origens. Contratempos à parte, os ciganos realmente são mais conhecidos por sua arte de ler a sorte e adivinhar o futuro, mas nem por isso, os pseudomágicos que utilizam a bola de cristal para previsão do futuro e que são encontrados principalmente em feiras de diversões, não são verdadeiros ciganos.

Apesar da influência cristã nos mitos ciganos, eles guardaram lendas anteriores, algumas das quais podem refletir as primeiras tentativas do homem para explicar o universo e a natureza da vida. Em um desses mitos, a terra é chamada de Develeski, a Mãe Divina de toda a existência, expressão que deriva do sânscrito “deva” que significa “ser celestial”, puro.
A criação da humanidade e princípios do bem e do mal aparecem em outro mito, que apresenta paralelo com a história da criação do livro Gênese. Um dia, apareceu na terra o “Del” (Deus) e o “Bengh” (o diabo), que competiam na fabricação de figuras de barro. O diabo moldou-as com as formas do homem e da mulher e Deus soprou nelas. Essas figuras eram Damo e Yehwah.
Segundo a lenda, o barro só se transformou em carne quando os bonecos foram tocados pelos galhos de uma pereira que crescia ao seu lado. Adão comeu a pêra; a serpente tentou impedir Eva de comer uma maçã, mas foi interceptada por Deus, ao contrário do que conta Gêneses e as frutas despertaram seu desejo sexual. Adão logo ficou satisfeito, mas Eva queria mais; e desde então a mulher nunca mais deixou de desejar o sexo. Nessa narrativa, ainda em contraste com Gênese, depois que Deus criou o Sol e a Lua fora da terra e os planetas.

Outra lenda cigana conta que, antes da criação do homem, o Céu e a Terra tiveram cinco filhos: Sol, Lua, Fogo, Vento e Neblina. Todos brigaram entre si e com seus pais. Primeiro  a Lua atacou sua mãe, a Terra; depois, Neblina e Fogo, seu pai, o Céu. Da mesma forma, o Sol não teve sucesso atacando a Terra. Mas o vento conseguiu separar a Terra do Céu e ela então o baniu junto com o Sol e a Lua, deixando ao seu lado a Neblina e o Fogo. Desde então, o Céu e a Terra ficaram separados, e seus filhos, em constante sofrimento.


Em um contraste com as lendas cristãs, há uma história segundo qual Deus teria feito bonecos de barro e colocado na forma: o primeiro esqueceu-se de tirar em tempo e este foi o ancestral dos negros; o segundo tirou-o antes do tempo e veio o homem branco. Na terceira vez, criou um belo tipo moreno, que foi o primeiro cigano.
A cultura e as tradições ciganas têm sido preservadas de geração em geração por mitos e lendas transmitidos oralmente, uma vez que suas tribos são analfabetas. Esse fato parece ter dificultado o estabelecimento da origem dos ciganos. Para uns teriam vindo do Egito, para outros da Índia. Algumas evidências lingüísticas indicam que o idioma cigano pertence ao grupo indo-europeu e deriva do sânscrito, logo Índia.
Os ciganos parecem são um povo muito religioso, mas é curioso como suas práticas religiosas funcionam em dois planos diferentes: observam práticas de grupos não-ciganos, mas também têm rituais próprios, que se assemelham aos de outros grupos orientais.


OS CIGANOS NO BRASIL
 


Da simples intenção de se estudar os ciganos em Minas Gerais durante o século XIX à construção da hipótese principal, foi preciso que o árduo trabalho de arquivo, em conexão com uma bibliografia sobre o período e sobre os ciganos, fosse realizado num ir e vir incessante.

Comparando os restritos testemunhos literários, com os relativamente abundantes trechos de memórias e relatos de viagens, a série de posturas municipais, as notícias de jornais, a documentação policial e outras fontes menos expressivas, conseguiu-se perceber tanto as semelhanças e diferenças do todo dessa documentação quanto estabelecer referências mais precisas para as balizas cronológicas.
Primeiramente, abriram-se duas possibilidades de estudo: a transformação do papel sócio-econômico dos ciganos e as mudanças na imagem que a sociedade formara deles. E descartar a perspectiva de um estudo exaustivo do cotidiano cigano, já que as fontes não propiciavam faze-lo.
As datas limites deste estudo são 1808 e 1903. Este período de quase cem anos justifica-se pela primazia dada às relações entre os ciganos e a sociedade que os abriga. Isso requisitou uma perspectiva que permitisse perceber um movimento, relativamente lento, de transformação das imagens e dos papéis dos ciganos na sociedade. Também a escassez da documentação exigiu que se estendesse tanto os marcos temporais. Pois apenas assim foi possível compreender determinados sentidos da documentação que, se considerada parcialmente e em períodos menores, não permitiria tal contemplação. A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro em 1808, junto com as suas conseqüências imediatas (como a abertura dos portos às nações amigas ¾ leia-se Inglaterra) e as muitas mudanças profundas na política, economia e sociedade (principalmente, a interiorização da metrópole), proporcionou a ascensão sócio-econômica dos ciganos, principalmente dos comerciantes de escravos, no Rio. Os ciganos, em Minas Gerais, viveram um momento de expansão desse tipo de comércio, embora não tivessem gozado do mesmo prestígio e riqueza que seus congêneres cariocas.

Em 1798, a população escrava representava 48,7% do total populacional. Isto dá uma idéia da importância do mercado escravista no Brasil. Aproveitando-se do aquecimento econômico, atrelado ao estrondoso crescimento populacional vivido pela cidade do Rio de Janeiro, os ciganos estabelecidos de forma concentrada no Campo de Santana, aproveitaram-se do espaço desocupado no mercado de escravos de segunda mão, que atendia a proprietários de plantéis menores.

Além dos mercados na Rua do Valongo, os ciganos comerciaram escravos por várias partes do interior do país; em Minas Gerais, podemos confirmar que tiveram um papel importante nesse comércio. Isto proporcionou uma maior aceitação e mesmo valorização social dos ciganos, já que exerciam uma atividade reconhecida como útil por grande parte da população. Alguns ciganos tornaram-se ilustres, patrocinando até festividades na Corte. Esse momento sui generis da história cigana no Brasil coincidiu com a ascensão do movimento romântico na Europa que repercutia no Brasil, com a visão de que o cigano era a encarnação dos ideais da vida livre e integrada a natureza. Além disso, houve uma idealização da mulher cigana, agora não mais uma miserável e desonesta, mas uma mulher forte, sensual e, ainda que vingadora e passional, fascinante.
Em fins da década de 1820, viram esses breves momentos de prestígio começar a ruir, com os movimentos políticos pela independência. Somaram-se a isso, a partir de meados do oitocentos, os golpes fatais sobre o escravismo (1850. 1871 e que culminaram com 1888).

O impulso que a política de construção de uma identidade nacional teve, a partir da Independência, gerou um cerceamento cada vez maior tanto dos deslocamentos quanto da própria identidade dos ciganos. Tal fato se deu pelo crescimento de importância da idéia de modernização e civilização dos costumes junto às elites brasileiras, que “pretenderam estabelecer um reordenamento físico das cidades, higienizar as vias públicas e excluir dos centros urbanos todos os indivíduos que não se adequaram à nova ordem”. Embora “civilização” e “progresso” fossem expressões fundamentais na cultura européia desde os fins dos setecentos, no Brasil, foi no transcurso do século XIX que se almejaram tais metas, cada  vez mais. Desse momento em diante, intensificou-se a repressão às populações marginalizadas, entre elas os ciganos. Eles tanto não se enquadravam na nova ordem como, também segundo a sociedade acreditava, a ameaçavam.

Assim, a segregação ou expulsão dos ciganos da cidade passa a integrar o projeto “civilizador” das autoridades imperiais.
A condenação pública do escravismo cada vez mais acentuada e as respectivas leis restritivas debilitaram o comércio escravista e os ciganos passaram a se concentrar nas transações de cavalos e mulas. Em 1872, a população escrava era apenas de 15,2%, muito distante dos quase 50% de sete décadas antes. O comércio de escravos foi sendo visto, no transcurso da segunda metade do século XIX, cada vez mais como um ofício degradante e vil. Após a abolição da escravatura, em 1888, os poucos ciganos que ainda insistiam neste comércio, perderam sua principal fonte de renda e se tornaram miseráveis (como tantos outros ciganos na época) o que os levou a tentar se adaptar à nova conjuntura sócio-econômica.
Dos fins do período Imperial até os primeiros anos depois de instalada a República, ocorreram inúmeras diligências policiais no encalço de bandos ciganos em Minas Gerais, que resultaram em sangrentos confrontos. Os anos de maior destaque dessas fugas e perseguições relatadas na imprensa foram 1892 e 1897. Depois de 1903, no entanto, foi interrompida a enorme preocupação policial com os ciganos desaparecendo as referências documentais sobre correrias ciganas. Passados alguns anos, eventualmente, houve problemas entre ciganos e polícia (1909, 1912, 1916 e 1917). Mas não houve qualquer continuidade das “Correrias de Ciganos” ocorridas até 1903, o que justifica o marco cronológico final.
Não se conseguiu identificar, na lacuna que se seguiu (pela ausência dos acontecimentos) o fim das correrias. Nem o contexto histórico forneceu indícios que pudessem sustentar qualquer hipótese viável para o término desses eventos. No entanto, hipoteticamente, pode-se considerar que o grande afluxo de imigrantes tenha polarizado, cada vez mais, as preocupações das autoridades,  que tentavam estabelecer planos de assimilação para eles. Com isto, tendo um problema demograficamente mais importante para resolver, o controle sobre os ciganos pode ter se tornado frágil. Também, como hipótese, outro fator pode ter atuado: os ciganos teriam, gradativamente, se reacomodado econômica e socialmente, estabilizando seus negócios e necessitando de realizar menos movimentações, que tanto preocupavam as autoridades policiais. 





TRIBOS OU CLÃS?



Os ciganos não gostam e não aceitam a palavra tribo para denominar seus grupos, pois não possuem chefes equivalentes aos caciques das tribos indígenas, nas mãos de quem está o poder.
Os ciganos também não possuem pajés ou curandeiros, ou ainda um feiticeiro em particular, pois cada cigano e cigana tem seus talentos para a magia, possui dons místicos, sendo, portanto um feiticeiro em si mesmo. Todo povo cigano se considera portador de virtudes doadas por Deus como patrimônio de berço, cabendo à cada um desenvolver e aprimorar seus dons divinos da melhor e mais adequada maneira.
Existem autores que citam que cada grupo cigano tem seu feiticeiro particular denominado kakú, porém esta palavra no idioma romani significa apenas tio, não tendo qualquer credibilidade esta afirmação. O que sabemos é que os ciganos são mágicos, curandeiros, ledores da sorte, lêem as mãos, jogam o jogo das pedras e crêem em espíritos.
Os principais grupos Ciganos: Atualmente, existe um sem-número de grupos ciganos, sendo os mais expressivos no presente os seguintes:


GRUPO KALON



Os componentes deste grupo fixaram residência especialmente na Espanha e Portugal, onde sofreram severas perseguições, pois sendo estes países profundamente católicos e conservadores, não podiam admitir os costumes ciganos, tanto que foi proibido de falar o seu idioma, usar suas vestes típicas e realizar festas e cerimônias segundo suas tradições. O que os ciganos sofreram na Península Ibérica, lembra de certa maneira o que os negros sofreram em terras do Brasil.

Os ataques da realeza ao Grupo Kalon foram tão rigorosas, que ele foi obrigado a criar um dialeto, mescla de seu próprio idioma com o português e o espanhol, em particular em Portugal, onde as proibições não foram verbais, mas determinadas por decreto do Rei D. João V. Apesar de todos os sofrimentos o Clã Kalon sobrevive até os dias atuais, sendo um dos grupos que mais fielmente segue as tradições ciganas. Tem-se que os Kalons originaram-se no Antigo Egito.
 


GRUPO MOLDAVANO


De pele mais clara e olhos azuis, este grupo originou-se em terras da Rússia, tendo de enfrentar os rigores do inverno russo em suas precárias carroças. Sob as pesadas roupas e capotes escuros mal reconhecemos sua origem cigana. A denominação moldavano vem da palavra Moldávia, região da Europa central que chegou a fazer parte do Império Russo e da antiga URSS. 


GRUPO HOHARANÔ



Surgiram em terras turcas e se destacaram em especial como grandes criadores de cavalos. Os integrantes deste grupo chegaram ao Brasil depois do grupo Kalon, somente no final do século XVIII.



GRUPOS KALDERASH E MATCHUIYA


Os ciganos do grupo Kalderash são originários da Romênia e da antiga Iugoslávia, o berço dos Matchuiya. Ambos os grupos chegaram ao Brasil no final do século XVII. Os primeiros ciganos a chegarem ao Brasil aram do grupo Kalon e vieram de Portugal em meados do século XVII. Portugal, necessitando de mestres de forja no Brasil, enviou-os para cá para que fabricassem ferraduras, armamentos e ferramentas. Faziam também artesanalmente utensílios domésticos, seus tachos e alambiques para o fabrico da cachaça, famosos até hoje por serem extremamente bem feitos e resistentes. 



terça-feira, 22 de maio de 2012


A LUA



Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o “sagrado”, quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande “madrinha”. As celebrações da Lua Cheia acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os Ciganos tudo é vida, é “maktub”  (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.
Para os Ciganos no plano mental a lua representa nosso inconsciente e as nossas emoções. Cada uma destas fases influencia nossa sensibilidade, nossa disposição e, portanto nossas atividades. As fases da lua são muito importantes na magia cigana, como em qualquer outra magia, portanto devemos respeitar as forças da natureza.

·        Lua Nova – é o momento da germinação, na busca de novos caminhos. Ficamos mais introspectivos e indecisos. Não é um bom momento para tomarmos decisões. É a época de deixarmos amadurecer nossos propósitos e ideais.

·        Lua Crescente – nossas idéias e emoções tornam-se pouco a pouco, mais claras. Ficamos mais objetivos. É o momento de colocarmos em prática o que planejamos. Tornamo-nos mais sociáveis.

·        Lua Cheia – simboliza a plenitude. Ficamos mais receptivos.Nosso inconsciente aflora mais facilmente. Tudo que planejamos chega ao seu nível máximo de potencialidade.

·        Lua Minguante – este é o período de avaliação daquilo que foi feito. É o momento de terminar tudo que foi iniciado nos ciclos anteriores. Ficamos extremamente sensíveis.

  


A CULINÁRIA




Na culinária cigana são indispensáveis: o cravo, a canela, o louro, o manjericão, o gengibre, os frutos do mar, as frutas cítricas e as frutas secas, o vinho, o mel, as maçãs, as peras, os damascos, as ameixas e as uvas que fazem parte inclusive dos segredos de uma cozinha deveras afrodisíaca.
 

  

AS FERRAMENTAS




O punhal, o violino, o pandeiro, o leque, o xale, as medalhas e as fitas coloridas; o coral, o âmbar, o ônix, o abalone, a concha marinha (Vieira), o hipocampo (cavalo-marinho), a coruja (mocho), o cavalo, o cachorro, o galo e o lobo são símbolos sagrados para o Povo Cigano.

A verbena, a sálvia, o ópio, o sândalo e algumas resinas extraídas das cascas das árvores sagradas são ingredientes indispensáveis na manufatura caseira de incensos, velas e sais de banho, mesclados com essências de aromas inebriantes e simplesmente usados nas abluções do dia-a-dia, nos contatos sociais e comerciais, nos encontros amorosos e principalmente nos ritos iniciáticos, de forma sensível e absolutamente mágica, conferindo grandes poderes.

O grande símbolo geométrico do Povo Cigano é o Círculo Raiado (representando a roda da carroça que gira pelas estradas da vida) provando a não linearidade do tempo e do espaço; e o Pentagrama (estrela de 5 pontas) simbolizando o Homem Integral (de braços e pernas abertos) interagindo em perfeita harmonia com a plenitude da existência. O maior axioma do Povo Cigano diz simplesmente: “A sabedoria é como uma flor, de onde a abelha faz o mel e a aranha faz o veneno, cada um de acordo com a sua própria natureza”.
  

O IDIOMA
 


Uma das maneiras de os ciganos se manterem unidos, vivos, com suas tradições preservadas é o idioma universalmente falado por eles, o Romani ou Rumanez, que é uma linguagem própria e exclusiva.
É expressamente proibido ensinar o Romani para os não-ciganos; e os ciganos fiéis às tradições, que rezam sua origem, seus irmãos de raça, que são verdadeiros ciganos, sabem disto. Portanto, quando alguém que se diz cigano quiser ensinar o Romani, geralmente as custas de dinheiro, ou então passar  segredos e as íntimas particularidades da vida cigana é bom ter cuidado, pois com certeza, ele ou ela não é um autêntico cigano, obediente aos preceitos e princípios de seu povo. Ele poderá ser até cigano de origem, mas não será mais um cigano de alma e coração capaz de manter a honradez de seus antepassados e contemporâneos autênticos.



A TRANSMISSÃO ORAL DOS ENSINAMENTOS
 


O Romani é uma língua ágrafa, ou seja, uma língua ou idioma sem forma escrita. Portanto, para sua perpetuação o Romani conta somente com a transmissão oral de uma geração para outra, de pai para filho. Não existem livros ensinando uma linguagem, que não tem sequer uma apresentação gráfica definida, pois se os ciganos tivessem se originado na Índia teríamos os caracteres sânscritos, mas como encontramos ciganos em quase todas as partes do mundo, o Romani poderia ter os caracteres da escrita russa, ou egípcia, latina, grega, árabe ou outra qualquer. Assim como o idioma, todos os demais ensinamentos e conhecimentos da cultura e tradição ciganas dependem exclusivamente da transmissão oral. Os mais velhos ensinam aos mais jovens e às crianças os conhecimentos do passado, o pensamento e a maneira de viver herdado dos ancestrais.

  

OS TALISMÃS


A força existente em um talismã envolve principalmente as energias inconscientes que projetamos nele. O talismã funciona como sendo um ponto focal dessas energias. Para muitos de nós, nossos desejos precisam de um objeto concreto para que se manifestem. Se você acredita que um Talismã irá ajudá-lo, ele realmente poderá ajudar você a alcançar seus objetivos. Entretanto, e por este mesmo motivo, você deve, acima de tudo, acreditar em sua capacidade de agir sobre o mundo que o cerca.

Talismãs mais conhecidos e usados:

Rosa – favorece as paixões e traz prosperidade.

Coração – protege a vida afetiva.

Borboleta – harmonia conjugal. Bom relacionamento doméstico. Vida, morte e ressurreição.

Gato – harmonia, felicidade.

Lua Crescente – sorte no amor

Tartaruga – Longevidade

Âncora – estabilidade

Olho – proteção contra o mal.

Ferradura – boa sorte, dinheiro, prosperidade.

Chave – favorece todas as situações que envolvam mudanças.

Pentagrama – representa o domínio da razão sobre a emoção.

Figa – afasta o mau olhado.

Ouroboros – (a serpente que morde a própria cauda): traz equilíbrio, força e determinação.

Trevo de 4 folhas – traz boa sorte, felicidade e fortuna.

Pomba – símbolo da paz, está associado às deusas-mãe. Traz felicidade para os amantes.

sábado, 19 de maio de 2012



O que as cores provocam 



O conhecimento da importância das cores pode ser de grande utilidade para quem quiser utilizar as suas Pedras de Cura de maneira correta, a Cromoterapia, que busca a cura através das cores e o uso de roupas coloridas, expressando o nosso estado emocional e saúde física. 



  • Amarelo: 

Efeitos dos minerais amarelos: 
Animação - alegria de viver - alegre - cheio de esperança - ativo - aberto. 
Geral:  Cor da criatividade, da inteligência e da razão. Com o amarelo, tudo é fácil, leve, alegre, ágil, aconchegante e levemente provocante. Esta cor irradia calor uniforme e transmite sensação de tranqüilidade e alegria de viver, facilitando a aproximação de pessoas desconhecidas. Ajuda-nos a superar inibições e medos. 



  • Azul-Claro: 

Efeitos dos minerais azul-claro: 
Sentimento de liberdade sem limites - iniciativa. 
Geral:  Inspira desejo de variedade e aventura, fomenta a vontade de liberdade e iniciativa, abre o nosso horizonte e une a nossa alma ao infinito do céu. 



  • Azul-Escuro: 

Efeitos dos minerais azul-escuro: 
Sentimento de fidelidade - confiança - calma - tranqüilidade - organização. 
Geral:  Cor do espírito, da maturidade e confiabilidade, autoridade, calma e paz, atua relaxando, acalmando e hipnotizando. Esta cor tem vibrações tranquilas e nos inspira respeito. 



  • Branco: 

Efeitos dos minerais brancos: 
Sentimento de pureza - pura - clara - refrescante - futurista, espiritualidade. 
Geral:  Dá-nos a sensação de pureza, limpeza e confiança em nossas aptidões. Também protege de decisões precipitadas. Induz à concentração e ao relaxamento. 



  • Laranja: 

Efeitos dos minerais laranja: 
Calmante e equilíbrio - cheio de vida - alegre - entusiasmado -sociável aberto. 
Geral:  É a cor do sucesso, aquece, suaviza, fortalece e alegra. Laranja é saudável sob todos os aspectos e um cosmético que mantém o brilho da pele. Ao mesmo tempo. a cor propicia equilíbrio e tranqüilidade. 



  • Marrom: 

Efeitos dos minerais marrons: 
Transmite clareza - afável - sociável - prático. 
Geral:  É a cor do relaxamento e traz clareza em situações difíceis, sociável, prático. 



  • Preto: 

Efeitos dos minerais pretos: 
Minerais pretos absorvem todas as luzes e são apropriados para absorver energias excedentes do corpo, bloqueios de energia. dores, pára-raio de influxos negativos, relaxante. 
Geral:  Misterioso - solene, sofisticado - forte - dramático. Significa elegância, superioridade, autoconfiança. Ajuda na concentração e procura por novos caminhos, e a solucionar tarefas difíceis. Protege a aura com uma sombra que filtra qualidades negativas. 



  • Rosa: 

Efeitos dos minerais rosas: 
Transmite ternura - suave - acessível - não assustador. 
Geral:  Requer meiguice e sentimentos ternos, torna a alma e o corpo receptivos para o lado bonito da vida. 


  • Vermelho: 

Efeitos dos minerais vermelhos: 
Amor - paixão - temperamento - otimista - consciente de si - excitante. 
Geral:  Cor do movimento, da claridade, energia, coragem, do fogo, da excitação e paixão, mas também da guerra, destruição, agressão e do inferno. O vermelho aumenta o desejo pela atividade, o temperamento e dá energia. Confere resistência e determinação. 


  • Verde: 

Efeitos dos minerais verdes: 
Consciente de si - esperança - harmonioso - neutralizante - superior - confiável. 
Geral:  Cor da vida, do crescimento, da compensação e harmonia. A ação do verde acalma, relaxa, tranquiliza e regenera. Produz sensação de frescor e ajuda a relaxar e a se acalmar após situações de estresse. 


  • Violeta: 

Efeitos dos minerais violetas: 
Propriedades limpantes e libertadoras, aumenta o funcionamento do cérebro, misticismo e 
espiritualidade - cheio de imaginação - sensível - intuitivo - criativo - abnegado. 
Geral:  Cor do poder e do distanciamento, atua hipnoticamente, amortece e provoca a sensação de leveza corporal.  Estimula a mente, aguça os sentidos para a percepção da beleza e fortalece a compreensão, deixando a mente divagar em direção a outras distâncias e dimensões desconhecidas. 



O que é saúde? 

A saúde consiste em uma ação concentrada e harmônica de todos os nossos órgãos, glândulas, nervos e sentidos. Uma atuação equilibrada de pesos de energia, hormônios, enzimas e minerais determina o nosso bem-estar e cuida da saúde do organismo. Quando essa harmonia se afasta do equilíbrio, notam-se mal-estar e doença. Este harmônico funcionamento conjunto de todas as nossas glândulas, órgãos e hormônios, em sua relação com o organismo, constitui uma das maravilhas da natureza. Os chineses reconheciam essa complicada cooperação de receber e de dar, alto e baixo, Yin e Yang há milhares de anos e daí desenvolveram as primeiras lições da arte de curar. O que designamos biorritmo, boas e más constelações, é, para os chineses, Yin e Yang. 
O Yin simboliza o feminino e o Yang o masculino. Estes são simplesmente contraditórios e determinam o círculo diário de todos os seres vivos. Sentimo-nos bem e sadios quando o nosso corpo oscila em harmonia e equilíbrio. Os chineses dizem que isto acontece quando o Yin e o Yang estão em harmonia.

sábado, 12 de maio de 2012


O destino por meio de dados 

Sacudir bem o dado, pedir a ajuda da tribo cigana (invocando a verdade) é a primeira coisa a fazer para jogar dados.  Nos outros podemos jogar. Invocamos Santa Sara. E vemos o número que caiu no dado. Se for um, revela que o consulente esta em perigo. Dois, caminhos fechados; três, má sorte; quatro, dinheiro gordo; cinco, felicidade; seis, maldição. Mas, se o seis cair três vezes, é força espiritual, proteção da magia gitana”, sua voz grossa ordena. Ele é um rei por aqui e está acostumado a mandar e não pedir. O dado cai na toalha. Joga dado cigano, joga moeda e vê a sorte que vai dar, olha pra Lua, que ela é mais sua do que nossa, pois se dá a quem mais a ama... 

O pêndulo cigano. 

Ele descobre seu amor perdido. Uma rosa vermelha na mesa. O lampião clareia o pêndulo cigano. Ele é pesado, colorido em vários tons. Para termos o amor de volta, segundo a crença gitana, devemos segurar na mão esquerda o nome da pessoa que amamos e na outra o pêndulo. E mentalizamos a volta de nosso amor ou a chegada de um novo e bom amante. O pêndulo gira, se ilumina. 
Cantam os bichos noturnos, o violino geme, ouvem-se rezas e palmas. O pêndulo gira livre do plano físico, liberto da razão, apenas na vibração da sensibilidade da mão que o segura. Assim ficará você,  ao dar margem aos seus impulsos, arrebentar as correntes e ser mais um místico, nas águas do mistério, do além do real, da imaginação, pois como diz a gente cigana “toda a felicidade terrestre baseia-se numa transação entre o sonho e a realidade”... 

terça-feira, 8 de maio de 2012


A LUA


Quando os ciganos vão ao seu santuário, perto de Arles na Provença, onde festejam também as “Santas Marias do Mar”, Madalena, Jacobé e Salomé, sempre o fazem em tempo propício. A Lua cheia, ou a nova, ou a minguante, ou ainda a crescente, importa para a realização de trabalhos mágicos. Pois, para os ciganos, a Lua é a maga do Zodíaco.
Quando os vi pela primeira vez era noite de Lua cheia e dançavam num bródio, comezaina para festejar um gade. Eles me aceitaram, única pessoa ali que não era gajo, nem manuche. Eu, então uma menina, fui aos poucos colhendo os frutos de suas vidas e de suas crenças. A primeira que aprendi foi sobre a força da Lua, sua influência em nossa vida, seu valor mágico.
A Lua, como nosso mais próximo vizinho sideral, está a uma distancia média de 382.000 km do centro do nosso planeta. Assim, ela é a nossa influência mais próxima. Faz uma volta completa em torno da Terra em pouco mais de 27 dias. Em virtude da posição relativa dos três astros, Lua, Terra e Sol, surgem os vários aspectos: Lua nova, Quarto crescente, Lua cheia, Quarto minguante. Metade da Lua permanece sempre obscura. Assim, para os ciganos, ela tem uma parte sempre oculta, reservada, uma grande incógnita. Logo, é como uma sacerdotisa, uma pítia, uma maga que se encobre em mantos no Zodíaco. Tem uma parte sempre secreta, como os magos. Também muda em quatro fases, como são os elementos da magia: terra, ar, água e fogo. Ela tem uma luz que não lhe pertence, é a luz solar refletida em si e assim, ela como as forças da
Magia existem sempre através de uma força maior que domina o mago. A Lua é feminina e foi adorada como Isis, no Egito; Carmona, Vênus, Afrodite (Grécia e Roma), e pana os ciganos ela é Sara, a maga, a mãe, o útero, o óvulo, tudo que é feminino.
Assim, se os ciganos desejam fazer um feitiço sempre observam em que fase a Lua está. Acreditam que as pessoas cujo signo tem a influência lunar são místicas, falsas, megeras, poderosas ou produtivas.
Já as que têm a influência do Sol são fortes, lutadoras, capazes, dotadas de magnetismo animal, perigosas e idealistas. O Sol, como a estrela mais próxima da Terra, é a única de nosso sistema planetário que faz com que as pessoas por ele influenciadas sejam únicas, dominadoras e façam com que os outros girem sempre á sua volta. Ele domina os planetas e os asteróides ao seu redor. Ou seja: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão e os asteróides Ceres, Palas, Vesta.
Outros satélites como a Lua e os meteoritos. Assim, todos os que têm no Sol a maior influência planetária são o centro de tudo à sua volta.
São também quentes e alegres, pois o Sol é fonte de energia e vida para tudo e todos. Em magia, o homem é simbolizado pelo Sol e a mulher pela Lua. Mas, como me ensinou Runhol naquela festa de casamento, “há mulheres que são mais solares do que seus homens. Outras têm uma boa carga de Sol em suas vidas, mas não deixam que o Sol domine sua Lua, tornando-as agressivas. Outras nem sabem disso e se tomam fêmeas rabugentas, orgulhosas, egoístas e até estéreis, o que uma manuche nunca pode ser, pois os filhos são a grande herança do casal e da tribo. Uma cigana nunca deve ter menos de cinco ou seis filhos. Quanto mais melhor”, falou o velho cigano Runhol aquela menina que foi vê-lo pela primeira vez.
Hoje, como dirigente do "Templo de Magia Cigana", jogo cartas como as manuches, leio a sorte como os gitanos, conheço-os e aprendi que em toda a parte há gente boa e má, solar ou lunar, dependendo não da cor da pele, da origem, mas da sensibilidade, vivência e fraternidade que cada um possui. Cultura semsensibilidade se torna árida. Amor sem sexo, incompleto; desejo sem luta, irrealizável.
Assim como a Lua influi em nós mulheres e nas colheitas, ela também influi em nosso físico. Assim, para que os cabelos cresçam, as manuches só os aparam em Lua cheia. Um noivado ou casamento sempre se faz na Lua cheia. Um passeio, para restituir a saúde, só em dia de Sol. E um bom trabalho de amarração, para dominar de novo alguém que ande esfriando, requer tempo de Lua cheia.
Muitas destas palavras que citei acima são do dialeto cigano, assim um homem cigano é um gadjé e um gajão ou gajo é um não cigano. Uma mulher é manuche (quando cigana) e gavina quando não zíngara. Um feiticeiro é um kaku, espécie de xamã de toda a tribo. Uma mulher que domine a tribo é a mãe-de-tribo. E dinheiro, um dos maiores amores dos ciganos, é lovés. De hábitos errantes, eles hoje se fixam. Muitos estão na Itália, tziganes; na Alemanha são chamados zigeuner, e gitanos na Espanha.
Na força do Sol e na força da Lua que eu possa contar um pouco de suas tradições secretas, em meio a vozes afinadas, que soam nas noites claras de luar nas festas e bródios gitanos.